quinta-feira, 26 de maio de 2016

Temporal, de tempo!


Está um pura calmaria
Bem-te-vis cantando de alegria
Flores, florescendo a beleza
Um vento tênue afasta a tristeza

Tudo calmo, num dia de primavera
Mas ela de tez tão severa
Veio com verão espalhar assolação
Bem-te-vis assustados cantarão

Mas eu.. ora eu, sendo tão meu
Desposei uma bela cadeira de embalar
Deitei, embalei e pensei. Amor meu...
Acabou de chegar

Aliviei, um primeiro lençol peguei
Muita chuva, muitas águas escorreram
Algumas árvores desabaram, outras eu plantei
Os menos apaixonados se esconderam

Eu, mas eu... ora eu, sendo tão teu
Observava átono, toda a destruição
Mas era eu, sendo tão eu

Bagunçava-me aquele derradeiro
Amava eu aquele desmantelo
Mas me apaixonava por inteiro

Deleitei-me, na minha única frase
"Só posso parar e apreciar a beleza
de toda essa bagunça que ela me causa"

Deitei, embalei e pensei. Amor meu...
Acabou de chegar.


Mauricio Caldeira Filho
~APK

sexta-feira, 4 de março de 2016

São flores, as mais belas flores.

Amores...
     inventados, reinventados.

Amor de garagem,
     com rodinhas e muleta,

Guardados num cofre
      ou numa maleta.

Amores...
      de historias, fofocas e valetas,

Amores..
       de cova rasa ou caverna sem fundo.

Amores...
      de rajada e tempestade.
      Trovoadas e ventanias.

Amores...
      de caras, bocas e companhias

Poderia dizer que são mais de um.
Mas todos são só para uma.

Mauricio Caldeira Filho

Um pássaro que cantava o amor.

Olha...
Pensa muito bem
Aguarde o tempo também
Mas saiba da escolha

Hoje vi um pássaro cantar
Preso num ninho de isopor
Aquecido nos lençóis do labor
Ouvir seu canto foi despertar.

Mas pera.... pense bem
Que mal tem esse bem?
Um ninho de galhos cantou
A meus ouvidos encantou

Mas...
Porém...
Como posso dizer amém
Se, num se, existe um Ademas?

Pense... pense muito
Muito bem
Nem sempre amar escolhe alguém.

Um canto... um olhar
Queria poder ver sem cantar 
Cantarolando juras
De um amor de brilho

Ah... como eram versos
Aqueles ninhos di-versos

Aquele pássaro a cantar
Cheguei até era o nome dela...
Que ele não se cansava de falar

Olhei...
No tempo pensei bem.
Talvez...
Nunca existiu pássaro.

O pássaro quem era eu
Meu canto era você
O ninho nossa casa
E os versos nosso amor.


Mauricio Caldeira Filho.