domingo, 8 de janeiro de 2017

E é só dela

Antes escrevia para minhas amigas
Hoje escrevo para ela
Como uma redoma em rodela
Onde o centro e as pontas não são inimigas

Como uma moeda
Tem seu valor
Impresso no labor
O valor dela, escrevo no poema

-parece um dilema!
Escrever para ela
Cada palavra dela
Uma cantiga bela.

Imagine um espaço sem luz
Sem brilho, sem cor, nem contraste
Meus poemas eram como um Traste
Depois delas, minha inspiração reluz

Era, então, preto e branco
Com tons de cinza
Claros e escuros
Pontos negros num fundo branco

O Negri era eu e e a luz, elas.
Não eram redomas, nem rodelas
Eram poemas expressos nelas

Hoje meu mundo tem cor
Tem o azul, tem o verde, tem o amor
Como um toque de um artista
Que sutil toca minha vida

Ela, aos poucos, se tornou o que faltava
Ocupou o lugar vazio e o que já estava
Ocupado, guardado, separado
Agora é colorido como um quadro

Cor. Cor. Cores
Redoma de amores
Com a porta aberta
O coração acerta

Depois dela,
Antes dela
O centro não existia
E agora existe

Mauricio Caldeira Filho

sábado, 7 de janeiro de 2017

Um laço do teu mundo, os cachos

Sinceramente                         
Arduamente                         
Minha mente                         
Se perde em cachos


Pode ser mais um laço                         
Que nasce do embaraço                         
Do alvoroço                         
Do caroço


Arduamente quando se sente
Os passos se mudam
Se mutam, se ralam
E falando alto na mente


Sinceramente, se perde em cachos
Os olhos carentes
Feitos em fontes de riachos
Permeados em Água, amores latentes  


Que alvoroço, que vastidão
Esses teus laços, em sua mão
Que raso!! Mais profundo
Teus cachos, teus belos, teu mundo
                    
Embaraçateado, seria eu.
Olhando esses laços
Uma dádiva do amor teu
Que limpa e lava os teu belos cachos


Mauricio Caldeira Filho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Antes de ela ser o amor da minha vida, é minha melhor amiga


Deveras antiga
Era cantiga...

Bela poesia...
Era de prosa...
Demais generosa...

Uma pausa[…]

É benigno
É um signo...
Linguístico...

Conversas de Anjos
Felicidade alheia
A Alma permeia...

Amiga, abraço
Laço apertado
Impossível soltar

Caindo as flores
Em tantas essências
Delas, as mais belas

Flores...
Em cores.. 
Uma flor...
Tudo darei
Em jardins, amei

A Chuva veio
Minha amiga
Ontem e hoje...

Te guardarei...
No peito
Regou as flores...
Molhou o chão...

Pelo tempo
Amei-a, Chuva
Ratificando o amor
Apenas doado

Sem trocas
Em verdade...
Meu amor

Permitia a mim
Regar as flores...
Enquanto era seca

É minha amiga,
A melhor delas
É meu amor
Somente ela

 
Mauricio Caldeira Filho

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Temporal, de tempo!


Está um pura calmaria
Bem-te-vis cantando de alegria
Flores, florescendo a beleza
Um vento tênue afasta a tristeza

Tudo calmo, num dia de primavera
Mas ela de tez tão severa
Veio com verão espalhar assolação
Bem-te-vis assustados cantarão

Mas eu.. ora eu, sendo tão meu
Desposei uma bela cadeira de embalar
Deitei, embalei e pensei. Amor meu...
Acabou de chegar

Aliviei, um primeiro lençol peguei
Muita chuva, muitas águas escorreram
Algumas árvores desabaram, outras eu plantei
Os menos apaixonados se esconderam

Eu, mas eu... ora eu, sendo tão teu
Observava átono, toda a destruição
Mas era eu, sendo tão eu

Bagunçava-me aquele derradeiro
Amava eu aquele desmantelo
Mas me apaixonava por inteiro

Deleitei-me, na minha única frase
"Só posso parar e apreciar a beleza
de toda essa bagunça que ela me causa"

Deitei, embalei e pensei. Amor meu...
Acabou de chegar.


Mauricio Caldeira Filho
~APK

sexta-feira, 4 de março de 2016

São flores, as mais belas flores.

Amores...
     inventados, reinventados.

Amor de garagem,
     com rodinhas e muleta,

Guardados num cofre
      ou numa maleta.

Amores...
      de historias, fofocas e valetas,

Amores..
       de cova rasa ou caverna sem fundo.

Amores...
      de rajada e tempestade.
      Trovoadas e ventanias.

Amores...
      de caras, bocas e companhias

Poderia dizer que são mais de um.
Mas todos são só para uma.

Mauricio Caldeira Filho

Um pássaro que cantava o amor.

Olha...
Pensa muito bem
Aguarde o tempo também
Mas saiba da escolha

Hoje vi um pássaro cantar
Preso num ninho de isopor
Aquecido nos lençóis do labor
Ouvir seu canto foi despertar.

Mas pera.... pense bem
Que mal tem esse bem?
Um ninho de galhos cantou
A meus ouvidos encantou

Mas...
Porém...
Como posso dizer amém
Se, num se, existe um Ademas?

Pense... pense muito
Muito bem
Nem sempre amar escolhe alguém.

Um canto... um olhar
Queria poder ver sem cantar 
Cantarolando juras
De um amor de brilho

Ah... como eram versos
Aqueles ninhos di-versos

Aquele pássaro a cantar
Cheguei até era o nome dela...
Que ele não se cansava de falar

Olhei...
No tempo pensei bem.
Talvez...
Nunca existiu pássaro.

O pássaro quem era eu
Meu canto era você
O ninho nossa casa
E os versos nosso amor.


Mauricio Caldeira Filho.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Anunciar de um Suicídio

Preparem-se a partir de hoje, eu
não serei mais eu, serei então
uma estrela no céu
que brilhará como uma noiva e seu véu
preparem-se meus amigos de plantão
a partir de hoje os eus, não mais existirão
ganhará o céu uma nova constelação

Agucem os ouvidos, pois ouvirão rugidos
será o de uma bola de fogo
que cruzará o céu de novo
preparem-se meus familiares
a partir de hoje
não serei mais reconhecido
nem tão pouco esquecido
talvez um pouco entorpecido
preparem-se os coveiros
porque receberam mais um hóspede
que não se hospeda de graça
nem tão pouco sorri da desgraça
gritem de horrores
porque no mundo só há dores
preparem-se ó cidade
o último cortejo há de passar
não perca o tempo
mais uma estrela o céu irá ganhar
a partir de hoje.
                                                               ...preparem-se...


Mauricio Caldeira Filho