Semearemos a discórdia e o caos
Vaguearemos de canoas e naus
Atiçaremos a dor e a penúria
Limparemos das vagas a luxúria
É do ar em amargura
Rés da dor que é mais pura
A paz... A dor que se perdura
"com a luz que já não fulgura"
Ele disse:
- Fúria, Fúria
No naus que já tem fundura
Semeador da discórdia e do caos
São os guardadores da paz
Que mesmo que seja em tempo
A rima já não se mais desfaz
Respondeu:
- Fúria, Fúria
Essa dor que já não fulgura
Repetiu a dor de um silêncio
-Amargura.
O amargo da saliva corta o doce
De um olhar destruidor
Ele respondeu:
-Fúria, Fúria...
Esse olhar que já não me tortura.
Mauricio Caldeira Filho