domingo, 13 de março de 2011

Ilusão, do sonhador

Se eu pudesse te ter em meus braços
Beijar-lhe-ia e nunca cansar-me-ia
Se eu pudesse ao menos lhe tocar
Eu te abraçaria sem nunca me queixar

Se um dia eu pudesse viver, queria que fosse com você
Um dia de sol ou de chuva, quente ou frio
Não importa o que vai importa é que você esta ali comigo
Não haverá lágrimas

Eu nunca faria você chorar
Seus prantos são como trovões
Triste e ferozes
Tristeza que nunca quero ver em seus olhos que mulher

Pareço criança quando estou nos seus braços
Sendo mimado, acariciado
Sendo enfim amado
Amor que nunca experimentei com tanta vontade

Amor que nunca senti tão real
Confusa realidade que me cerca
Confusão eu faço quando me beijas
Nos seus beijos eu me desfaço, e me refaço

Mauricio Caldeira Filho

Ferida da morte

Pena que tenha que ser assim
Tudo que acontece na vida
Retorna como uma flecha
Lançada pelo inimigo.

Tentando alcançar
A vila dos desejos humanos
Interrompidos pelo estampido da bala
Que corta o peito, e estraçalha a alma

Levando consigo o ultimo ar de esperança
O ultimo ar da gloria de uma guerra perdida
Perdida no tempo e no espaço
Sem tempo nem lugar para guerrear

Minha paz desgarrada, tentando entrar
Passando pela porta póstuma.
Liberdade morta... Suja
Sujeira que predomina na minha carne

Carne podre
Sendo devorada pelos abutres da falsidade,
Urubus que comem os restos da minha alma,
Espalhada pelo chão morta
Pela morte que você me ofereceu.

Mauricio Caldeira Filho

Caminhos Distintos


São tantos caminhos que nos levam a um único destino
Uns turbulentos e perigosos, outros calmos e aconchegantes
Caminhos que nos mostram sonhos, ou pesadelos
Estradas aberta numa única direção

Mas qual é essa direção?
Para onde esta apontada a seta do meu coração?
Perguntas que me calam, mas que nunca se calam
Fatos, que se renovam a cada instante

Em cada estante, que está separada nossas conquistas
E cada vitória enumerada de acordo com nosso amor
Pois nossas conquistas não foram poucas
Nem nosso amor foi finito.
 

Mas foi pelos mais altos montes da Terra
Que nos subimos e descemos.
Com nossas brigas, Tristeza
E com nossa alegria, Amor

Mauricio Caldeira Filho

Mangas Assassinas

Um dia passeando nos meus pensamentos
Pensei, que esta andando nas ruas da minha ilusão
Parei, vi uma cena que ecoava na minha razão
Então vi...

Umas mangas rosa, outra azuis
Umas armadas prontas para matar
Outras prontas para amar,
Umas virariam sucos
Outras se destinavam a procriação
 

Umas me impressionaram com seu ódio
Armadas até os dentes dos seus ácidos
A bombardear outras arvores
Pensei, até aqui disputa de terra

Até então pensei que era um sonho
Que logo com um beliscão passaria
Estava redondamente enganado
Como aquela redonda manga

Arma com uma arma que traria meus pesadelos a tona
Desesperado eu fugi, tentei correr
Com seu poder me atingiu
Quando me espantei, cai da cama.

Mauricio Caldeira Filho

Minha Prisão

Parece ser involuntário minhas duvidas
Chegam a ser doentias
Uma doença, que parece sem cura
Incurável, maligna e sem remédios
Para aliviar minha dor
Dor pequena, que causa grandes estragos
Finjo não senti-la
Me iludindo, sem saber que estou me afundando
Cavando uma cova tão profunda quando
O rio que corre dos meus olhos
Um rio de prantos causados por essa dor
Por essa doença
Lágrimas que escorrem o sangue da minha vergonha
Minha vergonha, vergonha te amar
Vergonha de desejar
Vergonha do mal
Vergonha de mim
Sinto-me amordaçado sem poder falar
Palavras presas na minha garganta
Que não param de jorrar, o sangue nos meus olhos
Tudo por causa dessa dor
Que você causou em mim.

Mauricio Caldeira Filho

Confusão...

Real é a confusão da minha mente
Confundindo um amor platônico
Com um amor verdadeiro
Mas o que seria os dois?

A realidade que me construiu
E a mesma que me prendeu
Enjaulou-me em seus prazeres
Prazeres pecaminosos e imundos

Que me revestiam, me cobrindo
Por completo, e por completo me acabando
Fazendo da minha realidade irreal
Dos meus prazeres um ardor

Reagindo com meus pensamentos
Pútridos, e com minha carne imunda
Preso fui, sem nunca ter pecado
Nem ao menos negado

Fiz da minha vida irreal um circo
Onde minha maior loucura era
Pensar que um dia tinha te perdido
Pensar que um dia te magoei
 

Fiz dos meus pesadelos, minha fonte de vida
Fiz da minha insanidade meu antídoto
Usei do mal para praticar o meu bem
Fiz, do meu ódio nascer o amor


Amor que perdi quando minha confusão
Tornou-se real, e fez você ser minha falsidade
Destrui tudo isso para voltar aos seus braços
Onde sei que minha loucura passará
E se fará a minha verdadeira realidade
 

Mauricio Caldeira Filho

Minha Rima

Rima minha que nunca foi minha
Pois um dia fosse minha
Seria tão boa quanto
As minhas poesias, mas será que são boas?

Se minha rima fosse boa
Minha dor se esvaia
Meu ar acabaria
Minha pele se esfriaria

Se minha rima fosse boa
Os pensamentos andariam
Sem um caminho se perdiam
Com uma dor a desejar

Meu coração esta a penar
Nessa terra a vagar
Sem mais ninguém para amar
Sem nem mesmo o ar, para me afagar

Será que minha rima é tão ruin?
Que eu não consiga respirar
Sem um suspiro para ti soltar
Nem meu olhar...

Nem mesmo os olhos que miravam outros olhos
Seriam os mesmo olhos seus
Se minha rima fosse boa
Os sinos badalariam como a rima.

Rima que incidia nos meu pesar
O amor que me faria herdar
A herança do nosso amor
Estou a Orar..

Mauricio Caldeira Filho

Amores Póstumos

Vida impetuosa e sofrida
Dor tão triste foi sua despedia
Não mais te veria, nem te beijaria
Oh... O que farei sem tua companhia

Tão triste é meu dia, sem sua alegria
Como é fria minha noite, sem te colo que me aquecia
Como eram bons os dias,
Que seus lábios se confundiam com os meus

Como foi triste o dia, que te via
Sem aquela cor que tanto apreciava
Muito triste, esse sentimento que me corroi
Sem me consumir.

Como triste é a minha noite
Sem suas cantigas de ninar
Sem os abraços antes de jantar
Sem seu perfume para me alegrar

Como agora posso ser tão frio
Se você esta tão quente a me abraçar
Enclausurado nessa morte, sem poder te beijar


Mauricio Caldeira Filho