No meu quarto
Na sala, na cozinha
No jantar, feijão
Até se cansar
Fartura, delicias, caricias
Meus olhos que veem
Seus lábios desejam
Minha boca que fala
No retrato se cala
Não quer mas comer
Agora só quer beber
Se embriagar, se encher
Jogar na calçada o pranto
Soltar pros céu o grito
Sem poder falar, um rugido
Sem seu retrato, apenas te digo
Retrato seu tenho guardado
Por muitos anos conservado
Por varias décadas admirado
E só por mim amado
Mauricio Caldeira Filho
Quero me livrar desse corpo inútil
Arrancar-me desse sentimento fútil
Me desprender do anoitecer
Livrar-me dessa doença.
Desse ardor, desse fogo
Dessa culpa, sem desculpa
Não me perdoou por viver
Pois, tudo vem pelo amanhecer
Nem a bela vista do jardim
Me livra de algo assim
Nem seu pranto, me da pena
Só sua dor que me vale a pena
Febril estou, minha carne podre
Você está a jogar no lixo da cidade,
Nesse lugar tão deserto. Um bueiro aberto,
Que vai dar em só um lugar...
...No lixão do Aurá...
Mauricio Caldeira Filho
Viu a primeira frase?
Onde a verdade se encontra
Onde a saudade quem ama confronta
E quem ama se ilude ao viver em paz
Sem nunca encontrar a paz
Paz de amar de verdade
Se amado de verdade
Somente a ilusão de amar
Mesmo vivendo na mentira da realidade
Nos campos da felicidade
Encontrar uma flor, traz o amor
Que desfaz toda a dor
A dor causada pela mentira do amor
Que antes era verdade
E agora só é capim
Que ocupa o meu amor sem fim
Mauricio Caldeira Filho
Hoje esta a ler a carta que fiz pra você
Um livro pequeno e humilde.
Um livro forçado, e cheio do meu amor
Livro tão caro e raro, tão vivo sem morte
Livro pequeno, onde disse a você
Disse com palavras minhas
Com palavras soltas
Disse com um ar de orgulho.
Escrevi no êxtase da minha noite
Aonde minhas palavras eram de amor
Amor que aprendi com você
Palavras que sempre direi
Um Eu Te Amo nunca é demais
Pois só isso que eu falei
No meu pequeno livro de amor
Um amor só seu.
Mauricio Caldeira Filho
Que as asas da morte me levem
Preso na sua garra infiel
Na sua garra que estraçalha minha alma
Alma morta vendida ao vento
Leve-me pra longe, onde já não possa ver
O seu sofrimento sem culpa
A sua dor sem desculpa
Seus olhos a sangrar, o seu sangue derramar
Não aguento ver a seu corpo mutilado
Com as marcas do nosso amor
Amor proibido e cruel
Amor tão grande, e que lhe causou tanta dor
Dor sua não conseguir ver
Essa dor eu queria lhe poupar
Pondo-me em seu lugar
Eu aguentaria sentir
Pois ai seria punido
Por esse amor tão bandido
Por esse amor tão lindo
Por esse amor tão sofrido
Aguentaria a forca
Pois, saberia que minha dor foi justa
Justa porque pude ver-te viva
Pois sua vida é nobre e a minha tão pobre
Autor: Mauricio Caldeira
Um dia...
Sonhei que eu teu corpo tocava
Um dia...
Sonhei que soua boca um dia beijava-me
Pensei sonhar o real
Pensei sonhar o meu desejo imoral
Sentia sua mão a acariciar meu rosto
Seus belos cabelos a encobrir minha face
Sua beleza a me alucinar na noite
Onde nosso amor se encontrava
O a paz reinava, onde o galo cantava
Marcando a hora do nosso extase
Hora marcada pra parar
Hora marcada para amar
Hora que temia chegar
Hora que demorava a passar
Pensamentos perversos eu tenho
De um dia te ter,
Pois nunca mais quero
Te esquecer.
Mauricio Caldeira Filho
A verdade que eu vi hoje
E o retrato que está pregado
Na parede do meu quarto
Imóvel, que só estampa a tristeza
Tristeza do meu rosto que chora
A beleza que aflora dos rios
Do nosso lindo amor.
Senão existisse essa dor
Que teima em separar a flor
Do seu caule, que crime é
Será que um dia voltará
Ou ficarei aqui a esperar
Um dia nosso amor se encontrar
Um dia que nossas bocas se beijarem
Um dia que um abraço não será uma prisão
Um dia que... Será o nosso dia
Mas, acho que esse dia não se demora.
Preso no nosso amor,
Acelerado bate o coração de quem chora
Choro eu, posso esse amor sentir,
Sem o perfume apreciar
Mauricio Caldeira Filho
No querer, muitos padecem
Chegamos tão longe com eles
Ou acabamos nos afundando
Com eles Desejos nos enganas,
Quando não nos ajudam
Desejos da terra, sem beira, sem ela
Desejos tão belos, quando singelos
Nem sempre belos, quando horríveis
Meus novos ouvidos estão ouvindo o mal
Sem um ar de pecado, nem ar de ternura
Sem uma vida tão dura, nem mesmo Sofrida,
Me afundei no rio do desejo
Rio tão negro, tão imperfeito
Onde minha perfeição é você
Perfeição tão meiga, tão espeça
Navegando eu tô, perdido estou
Tentando seguir seus lábios, de Amor
Mauricio Caldeira Filho